Os 7 queijos mais consumidos no Brasil: Tipos e Características

Descubra os 7 queijos mais consumidos no Brasil, suas características, sabores e usos. Saiba quais são os preferidos pelos brasileiros e destaque da produção nacional.

O Brasil é um dos maiores produtores de leite e queijo do mundo, ocupando atualmente a terceira posição no ranking global de produção. Entre os estados brasileiros, destacam-se Minas Geraise o Paraná, sendo este último responsável por um crescimento significativo no setor de lácteos e por se consolidar como o segundo maior produtor de leite do país. Segundo o IBGE, o Paraná é o segundo maior produtor de leite do país, enquanto Minas Gerais lidera a produção nacional, responsável por uma grande diversidade de queijos artesanais e industriais.

Apesar do destaque do Brasil na produção de leite e queijo, até pouco tempo havia a percepção de que apenas os queijos de qualidade superior eram produzidos no exterior. Nos últimos anos, entretanto, esse cenário vem mudando através do trabalho de produtores que investiram na fabricação de queijos artesanais brasileiros, o que tem contribuído para o aumento da popularidade e do reconhecimento dos queijos brasileiros, tanto no mercado interno quanto no externo. Os queijos brasileiros vêm ganhando destaque no mercado internacional, com algumas variedades artesanais recebendo premiações e reconhecimento em feiras de alimentos e concursos internacionais.

Diante desse contexto de crescente valorização da produção de queijos no Brasil, torna-se relevante compreender quais são os queijos mais consumidos no paíse suas principais características, a fim de identificar as preferências dos consumidores brasileiros em relação a aromas, texturas e sabores.

 

Queijo Muçarela

Queijo Muçarela

A muçarela, ou mussarela, é um dos queijos mais consumidos no Brasil, sendo muito presente no dia a dia dos brasileiros e utilizada em diversas receitas, desde aperitivos e lanches até pratos gourmet. A muçarela, por exemplo, representa mais da metade do consumo total de queijos no país, refletindo a preferência do brasileiro por queijos versáteis e de sabor suave.

Originária da Itália, apresenta sabor levemente ácido, aroma lácteo e textura macia. Por ser um queijo de massa filada, possui textura firme, uniforme e coloração amarelada. Quando submetido ao calor, torna-se elástico e agradável ao paladar, características que o tornam ideal para sanduíches, pizzas e outros tipos de lanche.

 

Queijo Prato

Queijo Prato

O queijo Prato é de origem brasileira, embora sua introdução tenha ocorrido com a chegada de imigrantes dinamarqueses ao país. É muito popular entre os consumidores e frequentemente utilizado em sanduíches e outros lanches.

Suas principais características incluem cor clara e textura macia, com sabor suave e levemente adocicado. Por ser uma massa semicozida e lavada, isso contribui diretamente para sua maciez e consistência agradável.

 

Queijo Provolone

Queijo provolone

O queijo provolone é um queijo de origem italiana, submetido a um processo de defumação antes da maturação. Pode ser encontrado nos tipos tradicional, picante e defumado.

Trata-se de um queijo de massa filada, com textura semidura e sabor mais intenso e marcante. Seu sabor se intensifica com o tempo de cura. É muito consumido em tábuas de frios, acompanhado de outros alimentos ou até mesmo puro.

 

Queijo Coalho

Queijo coalho

O queijo coalho possui textura firme e coloração branca ou levemente amarelada. É muito utilizado em churrascos como aperitivo ou acompanhamento, mas também é consumido fresco. Por ser mais firme, é adequado para fritar ou grelhar, sendo comumente usado em pratos como o baião de dois. O queijo coalho, além de popular nos churrascos, é um símbolo da culinária do Nordeste, sendo amplamente consumido em festas típicas e receitas regionais.

 

Queijo Cottage

Queijo cottage

De origem britânica, o queijo cottage é fresco, de sabor suave, levemente ácido e salgado. Apresenta cor branca e textura granulada, formada por grãos cobertos por creme de leite.

É muito recomendado para pessoas que seguem dietas restritivas, pois apresenta baixo teor calórico e, por conter caseína, proporciona maior sensação de saciedade.

 

Queijo Minas Padrão

Queijo minas padrão

O queijo Minas Padrão é de origem brasileira, com produção iniciada em Minas Gerais no século XX. Passa por processo de maturação em salas especiais, permitindo que as enzimas quebrem as proteínas e gorduras em pequenas moléculas.

Apresenta aroma levemente ácido e suave, textura macia, porém firme, com algumas olhaduras irregulares. É utilizado em diversas receitas, principalmente no pão de queijo, e também pode ser consumido puro.

 

Queijo Minas Frescal

Queijo minas frescal

Também de origem brasileira e produzido em Minas Gerais, o queijo Minas Frescal possui textura macia, massa mole e alta umidade, com sabor extremamente suave. Pode ser feito com leite cru ou pasteurizado, possui aparência branca, levemente porosa e úmida, e não passa por processo de maturação.

É comumente utilizado em lanches, pães, sanduíches e combina muito bem com doces. Por ser um queijo de consumo imediato, também é indicado para dietas, devido ao seu bom teor de proteína e cálcio.

 

Conclusão

Observa-se que as preferências dos brasileiros em relação aos queijos se concentram em sabores suaves e levemente ácidos. A muçarela é o queijo mais consumido, evidenciando o gosto por produtos versáteis e agradáveis ao paladar.

Além disso, o Brasil vem ganhando destaque na produção de leite e queijos, o que permite que queijos nacionais se tornem referência tanto no mercado interno quanto no externo, fortalecendo o setor lácteo do país.

 

Referências

ESTADO QUE VAI DISPUTAR COM MINAS LIDERANÇA NA PRODUÇÃO DE QUEIJO. Gazeta do Povo, 2025. Disponível em: https://www.gazetadopovo.com.br/parana/estado-que-vai-disputar-com-minas-lideranca-producao-de-queijo/. Acesso em: 12 nov. 2025. 

MAPA DO LEITE. Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (MAPA), 2025. Disponível em: https://www.gov.br/agricultura/pt-br/assuntos/producao-animal/mapa-do-leite. Acesso em: 12 nov. 2025. 

PARANÁ É O SEGUNDO MAIOR PRODUTOR DE LEITE DO BRASIL, CONFIRMA IBGE. Agricultura PR, 2025. Disponível em: https://www.agricultura.pr.gov.br/Noticia/Parana-e-o-segundo-maior-produtor-de-leite-do-Brasil-confirma-IBGE. Acesso em: 12 nov. 2025. 

QUEIJOS BRASILEIROS ESTÃO GANHANDO O MUNDO. Correio 24 Horas, 2025. Disponível em: https://www.correio24horas.com.br/entretenimento/queijos-brasileiros-estao-ganhando-o-mundo-1224. Acesso em: 12 nov. 2025. 

7 TIPOS DE QUEIJO MAIS CONSUMIDOS NO BRASIL. Indústria Rural, 2025. Disponível em: https://www.industriarural.com.br/laticinios/7-tipos-de-queijo-mais-consumidos-no-brasil. Acesso em: 12 nov. 2025. 

DVS® Sinergia – Cultivo especializado para alta performance em queijos de massa filada

O que é o DVS® Sinergia?

DVS® Sinergia é um cultivo desenvolvido pela Novonesis para melhorar a produção de queijos de massa filada. Ele utiliza cepas específicas de Streptococcus thermophilus capazes de produzir polissacarídeos capsulares (CPS), que aumentam a retenção de água no queijo sem causar amolecimento ou alterar sua estrutura.

Os polissacarídeos produzidos por essas cepas, como CPSexopolissacarídeos (EPS), são amplamente usados em produtos fermentados para melhorar a viscosidade e reduzir a sinérese. Nos queijos, eles contribuem para aprimorar a textura, aumentar a umidade e elevar o rendimento.

Sinergia foi formulado para atuar em conjunto com o coagulante CHY-MAX® Supreme. Essa combinação pode gerar ganhos de rendimento acima de 2% em comparação ao CHY-MAX® M e a cultivos STI. Enquanto o CHY-MAX® Supreme aumenta a firmeza da massa, o Sinergia acrescenta umidade de forma estruturada, resultando em menor proteólise e maior funcionalidade do produto final.

O cultivo apresenta uma curva de acidificação mais rápida que a de cultivos STI, devido às características das cepas e às doses superiores necessárias para maximizar a produção de CPS. Mesmo com essa velocidade de acidificação, ajustes no processo permitem obter um soro mais doce, agregando valor ao subproduto.

Por essa combinação de efeitos mais firmeza, maior umidade, melhor textura e rendimento superior, o Sinergia é especialmente indicado para indústrias de alta produtividade que buscam otimizar seus resultados sem comprometer a qualidade do queijo.

 

Qual seu processo nos queijos?

DVS® Sinergia é empregado na fabricação de queijos de massa filada, como muçarelaprovolone, atuando de forma complementar ao coagulante CHY-MAX® Supreme. Enquanto o coagulante contribui para maior firmeza da massa, o Sinergia, por meio dos CPS, promove a elevação da umidade sem comprometer a integridade estrutural da massa.

A ação do Sinergia ocorre graças aos polissacarídeos capsulares (CPS), compostos que se formam ao redor da parede celular de determinadas bactérias. Essas estruturas permitem alta retenção de água no queijo sem causar amolecimento. As cepas de Streptococcus thermophilus com essa capacidade são raras e foram selecionadas especialmente para o desenvolvimento do DVS® Sinergia.

O cultivo também promove uma acidificação mais rápida, característica das cepas presentes na formulação. Esse comportamento contribui para a obtenção de um soro mais doce, agregando valor ao subproduto e favorecendo o processo de fabricação de queijos de massa filada.

Para melhorar a padronização e garantir o ponto ideal da coalhada, pode-se utilizar o CoaguSens®, uma ferramenta que monitora a coagulação e a consistência da massa. Seu uso reduz variações entre lotes, impactando diretamente a textura final do queijo e a retenção de sólidos.

 

Em quais queijos pode ser usado?

DVS® Sinergia pode ser utilizado em diversos tipos de queijos de massa filada, como muçarela e provolone.

O processo de filagem desses queijos consiste em aquecer a massa em água quente (75°C–80°C) e esticá-la até que fique macia, elástica e totalmente maleável. Esse processo exige conhecimento e prática, pois a massa muda rapidamente. Quando atinge o ponto ideal, apresenta brilho, resistência e elasticidade.

Os queijos de massa filada passam pelo processo de filagem, que lhes garante maior elasticidade, maciez e capacidade de derreter em certas condições de aquecimento. Um exemplo é a muçarela, muito utilizada em pizzas e lanches devido à sua elasticidade e sabor levemente adocicado e lácteo.

Nem todos os queijos de massa filada têm sabor suave e textura macia; alguns podem ser mais duros e picantes, como o provolone, que apresenta sabor defumado e picante e textura mais firme.

Outro queijo produzido pelo processo de filagem é o caciocavallo, que apresenta sabor mais adocicado e textura equilibrada, nem tão macia quanto a muçarela, nem tão firme quanto o provolone.

Normalmente, os queijos de massa filada são consumidos frescos, mas têm grande versatilidade, sendo usados em pizzas, lanches, tábuas de frios, churrascos e outras preparações. Entre eles, a muçarela é um dos mais conhecidos e consumidos no Brasil.

 

Qual o benefício do Sinergia para os produtores?

DVS® Sinergia oferece diversos benefícios para o produtor. Com sua utilização em conjunto com o CHY-MAX® Supreme, é possível observar maior produtividade e rendimento, o que representa uma vantagem econômica significativa.

O cultivo também melhora a umidade do queijo, proporcionando textura e sabor mais agradáveis, que agradam ao consumidor. Além disso, o Sinergia contribui para a obtenção de um soro mais doce, melhorando a qualidade do subproduto e agregando valor ao produto final, o que aumenta o reconhecimento da marca e o potencial de mercado.

 

Referências

EDIÇÃO 148. Halabiotec. Disponível em: https://halabiotec.com.br/edicao-148/. Acesso em: 25 nov. 2025.

QUEIJOS DE PASTA-FILADA: a tradição que encanta o mundo. Queijos no Brasil. Disponível em: https://queijosnobrasil.com.br/site/queijos-de-pasta-filada-a-tradicao-que-encanta-o-mundo/. Acesso em: 25 nov. 2025.

SINERGIA. Novonesis. Disponível em: https://www.novonesis.com/en/biosolutions/food-and-beverages/dairy/cheese/more-inputs/yield-improvement/sinergia. Acesso em: 25 nov. 2025.

Impactos causados pelas mudanças climáticas no gado e na produção de leite

As mudanças climáticas já fazem parte da rotina e influenciam diretamente diversos setores produtivos. No Brasil, onde as variações de temperatura se intensificaram nos últimos anos, a pecuária leiteira se destaca entre as atividades mais afetadas. O setor, essencial para a economia nacional, é altamente vulnerável às oscilações ambientais, que impactam o bem-estar dos animais e a qualidade e quantidade do leite produzido.

Entre os desafios climáticos, o calor excessivo se destaca como um dos principais fatores de risco, podendo até causar mortalidade quando não há manejo adequado.

Diante desse cenário, torna-se fundamental adotar estratégias que reduzam os impactos do clima, garantindo a sustentabilidade da produção e protegendo a saúde do rebanho.

 

Impactos diretos no gado e na produção de leite

À medida que a produção de leite aumenta, a vulnerabilidade do rebanho também cresce, tornando os animais mais sensíveis às variações climáticas. O conforto térmico das vacas leiteiras situa-se entre –5 °C e 25 °C, devido ao alto metabolismo desses animais. Em temperaturas elevadas, o equilíbrio térmico torna-se mais difícil de manter, causando alterações comportamentais.

Animais expostos a calor excessivo tendem a se movimentar menos, permanecendo deitados por longos períodos para tentar regular a temperatura corporal pelo contato com o solo. Sinais desse desconforto incluem:

  • Diminuição do consumo de matéria seca;
  • Aumento do consumo de água;
  • Respiração ofegante, com maior transpiração e salivação;
  • Elevação da frequência respiratória e cardíaca.

Esses comportamentos são úteis para identificar quando o gado sofre com temperaturas adversas, principalmente em pastagens, onde os animais buscam áreas sombreadas, reduzindo o tempo de pastejo.

Vacas pastando em um campo verde

Além das alterações comportamentais, o calor excessivo impacta diretamente a produção de leite. Vacas que ingerem menos alimento e gastam mais energia para se resfriar apresentam queda significativa na produção, que pode variar entre 15% e 20%, segundo pesquisas da Fundação Roge. O tempo prolongado em posição deitada também prejudica a circulação sanguínea na glândula mamária, cerca de 500 litros de sangue são necessários para a produção de 1 litro de leite.

A exposição prolongada a altas temperaturas aumenta a probabilidade de problemas de saúde, podendo levar à morte. Entre os principais riscos estão doenças respiratórias, mastite, distúrbios imunológicos, acidose por dietas desbalanceadas e problemas de casco.

Vale destacar que as mudanças climáticas não apenas o calor extremo, mas também condições de frio, seca ou excesso de chuva podem provocar diversos problemas de saúde no gado leiteiro, afetando diretamente seu desempenho produtivo, a reprodução e o bem-estar animal.

 

Impactos indiretos

As mudanças climáticas também geram impactos indiretos no gado e na produção de leite, causando uma série de desafios que vão desde problemas reprodutivos até alterações na qualidade do leite.

Desafios na reprodução

Muitas fazendas leiteiras no Brasil enfrentam dificuldades para manter uma reprodução eficiente, e essas dificuldades se intensificam com mudanças climáticas repentinas. A reprodução bovina é altamente sensível às variações ambientais, exigindo cuidados constantes durante toda a gestação, tanto em períodos seco, quanto úmidos. Em episódios de calor extremo, os impactos são ainda maiores, pois o estresse térmico altera diretamente a eficiência reprodutiva, afetando tanto a vaca quanto o bezerro em desenvolvimento.

Vacas que passam por esse problema de saúde apresentam alterações hormonais significativas. Estudos mostram menor concentração plasmática de estradiol, hormônio essencial para a reprodução. A redução do estradiol interfere na síntese de Hormônio Liberador de Gonadotrofina (GnRH), comprometendo também a produção de Hormônio Luteinizante (LH) e Hormônio Folículo-Estimulante (FSH). Como consequência, observa-se menor duração do cio, baixa taxa de ovulação e redução da qualidade folicular.

Bezerros desenvolvidos no útero de vacas sob essa condição sofrem efeitos duradouros, que afetam tanto o desempenho produtivo quanto o reprodutivo ao longo da vida. Entre os principais efeitos observados estão:

  • redução do tempo de gestação (entre 4 e 5 dias);
  • menor peso ao nascer e na desmama;
  • alterações no metabolismo energético;
  • menor estatura e maior deposição de gordura corporal;
  • desvio de energia para tecidos periféricos, favorecendo acúmulo de gordura;
  • redução de proteínas plasmáticas e menor absorção de Imunoglobulina G (IgG);
  • diminuição da proliferação de linfócitos e monócitos, resultando em resposta imune deprimida;
  • novilhas provenientes de gestações sob o estresse térmico apresentam menor desempenho reprodutivo;
  • redução da produção de leite na primeira lactação, indicando possível programação metabólica para menor produtividade ao longo da vida.

Estudos recentes indicam que esses efeitos podem se estender às gerações seguintes, evidenciando um possível mecanismo de herança epigenética.

Além disso, vacas que enfrentam esse problema durante a gestação têm maior chance de desenvolver doenças puerperais no pós-parto, como retenção de placenta, metrite e cetose.

 

Desafios na Qualidade do leite

Em períodos de calor, a produção tende a diminuir, pois as vacas desviam sua energia para regular a temperatura corporal. Porém, não é apenas o volume que se altera: a composição do leite também muda. A redução da gordura ocorre devido a alterações nos triglicerídeos e lipídeos polares.

Em situações de estresse térmico, há também redução das proteínas do leite. Isso ocorre devido ao maior catabolismo muscular, aumentando o nitrogênio ureico e diminuindo a capacidade de síntese proteica na glândula mamária, resultando em menor teor de caseína. A queda dos sólidos do leite, somada à redução da produção, gera grandes perdas econômicas para as fazendas.

 

Efeitos dos diferentes tipos de clima no gado

No Brasil, são comuns mudanças climáticas bruscas, como variações de 14 °C para 29 °C em poucos dias. Essas alterações afetam o bem-estar dos animais, a produção e até a qualidade do leite. Cada tipo de clima traz desafios específicos:

  • Clima Quente: causa problemas imunológicos, perda de peso, redução da produção de leite, dificuldades reprodutivas e outros prejuízos.
  • Clima Frio: afeta principalmente raças europeias, causando hipotermia, perda de peso, baixa produção de leite e riscos para bezerros recém-nascidos.
  • Clima Chuvoso: aumento da umidade favorece doenças de casco, parasitas, estresse e distúrbios imunológicos.
  • Clima Seco: a escassez de água prejudica o gado a pasto, causando desidratação e outros problemas de saúde.

 

Desafios específicos no gado

Os principais desafios enfrentados pelo gado leiteiro incluem o estresse térmico no calor, problemas relacionados ao frio e diversas complicações decorrentes das mudanças de temperatura. A saúde, o bem-estar, a reprodução e a imunidade do rebanho são diretamente impactados.

Vacas prenhas expostas ao estresse por calor podem gerar bezerros com problemas de saúde, produção, imunidade e maior risco de mortalidade, esses efeitos podem se estender às gerações seguintes.

Além disso, o gado criado a pasto tende a sofrer ainda mais com essas variações climáticas, especialmente raças de origem europeia, que não são naturalmente adaptadas às condições climáticas brasileiras.

Gado bebendo água

 

Estratégias e soluções para lidar com os impactos

Existem diversas estratégias para reduzir os impactos das mudanças climáticas na produção de leite, algumas de maior custo e outras mais acessíveis:

  • Uso de instalações como free stall ou compost barn, equipadas com ventiladores, nebulização ou aspersão.
  • Para gado a pasto: escolha de raças adaptadas, estudo do clima da região e manejo diário eficiente.
  • Disponibilização de água limpa e fresca sempre, além de áreas sombreadas naturais ou artificiais.
  • Nutrição adequada, garantindo saúde, reprodução e longevidade produtiva

 

Conclusão

As mudanças climáticas causam diversos problemas para o gado leiteiro, especialmente para animais criados a pasto, mais expostos às variações ambientais. No entanto, com estratégias de manejo adequadas e cuidados eficientes, é possível reduzir esses impactos tanto para o produtor quanto para o bem-estar animal.

Embora não seja possível eliminar totalmente os efeitos das mudanças climáticas, é viável minimizá-los por meio de manejo adequado, instalações apropriadas e atenção à nutrição e ao conforto térmico. O estresse térmico não afeta apenas a vaca que o vivencia, mas também suas futuras gerações. Assim, compreender como o clima interfere na produção, saúde e reprodução do gado é essencial para implementar medidas que garantam a sustentabilidade da atividade leiteira.

 

Referências

EBERT, Leandro; NOGARA, Karise Fernanda; TERRA, Maria Luíza. Como o clima impacta os sistemas de produção de leite. MilkPoint, 17 set. 2024. Disponível em: https://www.milkpoint.com.br/colunas/interleite-sul/como-o-clima-impacta-os-sistemas-de-producao-de-leite-237461/. Acesso em: 12 nov. 2025. 

FREITAS, Evandro Christian Miranda de. Estresse térmico em bovinos: controle e resposta em produtividade. Fundação Roge, s.d. Disponível em: https://www.fundacaoroge.org.br/blog/estresse-termico-em-bovinos-controle-e-resposta-em-produtividade. Acesso em: 12 nov. 2025. 

GONSALES, Stephanie. Mudanças climáticas: efeitos e soluções para a produção de leite. MilkPoint, 19 fev. 2024. Disponível em: https://www.milkpoint.com.br/colunas/interleite-sul/mudancas-climaticas-efeitos-e-solucoes-para-a-producao-de-leite-236213/. Acesso em: 12 nov. 2025. 

MILKPOINT. Impacto das mudanças climáticas na produção leiteira. MilkPoint, 10 jun. 2024. Disponível em: https://www.milkpoint.com.br/colunas/lipaufv/impacto-das-mudancas-climaticas-na-producao-leiteira-237020/. Acesso em: 12 nov. 2025. 

MILKPOINT. O impacto do clima na produção de leite e como os produtores estão se adaptando. MilkPoint, 19 ago. 2025. Disponível em: https://www.milkpoint.com.br/artigos/producao-de-leite/o-impacto-do-clima-na-producao-de-leite-e-como-os-produtores-estao-se-adaptando-239128/. Acesso em: 12 nov. 2025. 

REHAGRO. Desafios climáticos na produção de leite. Rehagro, [s.d.]. Disponível em: https://rehagro.com.br/blog/desafios-climaticos-na-producao-de-leite/. Acesso em: 12 nov. 2025.  

Lácteos Híbridos

O que são lácteos híbridos?

Lácteos híbridos são produtos que combinam ingredientes de origem animal e vegetal, como leite e extratos de frutas, nozes ou amêndoas. Esses produtos reúnem características sensoriais dos lácteos tradicionais com atributos nutricionais provenientes dos ingredientes vegetais utilizados.

A categoria tem ganhado visibilidade entre consumidores interessados em opções que permitam reduzir o consumo exclusivo de produtos lácteos de origem animal. São alternativas consideradas por pessoas que buscam diferentes perfis nutricionais ou que procuram diversificar a alimentação.

 

Qual a diferença entre os Lácteos Tradicionais e os Lácteos Híbridos?

A principal diferença entre produtos tradicionais e híbridos está nos ingredientes utilizados.Produtos lácteos tradicionais utilizam exclusivamente matérias-primas de origem animal, tendo o leite como base. Já os lácteos híbridos combinam ingredientes animais e vegetais.

O processamento também apresenta processos distintos. Nos produtos tradicionais, são aplicadas etapas padronizadas, como pasteurização, homogeneização, fermentação e outros processos físicos, focados exclusivamente em uma única matéria-prima, o leite.

Nos produtos híbridos, o processamento tende a ser mais complexo, envolvendo mistura de ingredientes, verificação de compatibilidade entre componentes e, quando necessário, uso de tecnologias como fermentação de precisão ou agricultura celular. Essas etapas visam garantir estabilidade e segurança ao combinar matérias-primas de origens diferentes.

A composição nutricional varia conforme o tipo de ingrediente vegetal utilizado. Um estudo da Universidade de Massachusetts comparou produtos de base animal e vegetal: produtos à base de amêndoas apresentaram maior teor de fibras e quantidade de proteína semelhante aos tradicionais; produtos à base de coco apresentaram maior teor de cálcio, porém menor proteína e maior concentração de gordura saturada em comparação aos produtos de origem animal.

 

Produtos oferecidos através de lácteos híbridos

Os produtos híbridos têm se tornado mais presentes na indústria de lácteos. O principal segmento é o de bebidas híbridas, produzidas pela mistura de leite de vaca com bebidas vegetais, como leite de aveia ou de castanhas, buscando equilíbrio entre sabor e composição nutricional.

Outro produto encontrado no mercado são os iogurtes híbridos, obtidos a partir da fermentação de bases que combinam ingredientes vegetais e gorduras lácteas cultivadas, resultando em um perfil sensorial semelhante ao dos iogurtes tradicionais.

Também há pesquisas em desenvolvimento sobre queijos híbridos. Estudos da Universidade de Copenhague indicam que cerca de 25% das proteínas do leite podem ser substituídas por proteínas de ervilha, mantendo textura, forma e sabor próximos aos dos queijos tradicionais.

Embora nem sempre percebidos pelos consumidores, muitos produtos já apresentam alguma composição vegetal e fazem parte do dia a dia de diversas pessoas.

 

Benefícios para o Consumidor

Os lácteos híbridos apresentam perfis nutricionais que podem ser comparáveis aos produtos de origem animal, dependendo da formulação. Alguns contêm valores semelhantes aos tradicionais e outros apresentam características específicas, como maior teor de fibras ou menor teor de açúcar.

Grande parte dos iogurtes híbridos tem menor teor de açúcar em relação aos tradicionais. Formulações à base de amêndoas e aveia podem apresentar teores mais elevados de fibras e proteínas, o que pode ser relevante para consumidores interessados em ingestão proteica ou na regulação intestinal, considerando o papel importante das fibras e proteínas.

As bebidas híbridas à base de coco tendem a apresentar maior teor de cálcio, embora também apresentem maior concentração de gordura saturada em comparação às bebidas tradicionais.

De forma geral, são opções consideradas por pessoas que buscam diferentes perfis nutricionais ou alternativas com maior proporção de ingredientes vegetais, relacionadas a preferências pessoais ou atenção a aspectos ambientais.

 

Por que lácteos híbridos estão demonstrando uma taxa crescente de procura nos mercados?

O aumento da procura por lácteos híbridos está associado à semelhança sensorial com os produtos tradicionais, incluindo sabor, textura e aroma, características que facilitam a aceitação por parte do consumidor.

Questões relacionadas à sustentabilidade também influenciam esse crescimento. Como utilizam maior proporção de ingredientes vegetais, são percebidos por alguns consumidores como opções mais alinhadas a preocupações ambientais, considerando que a produção de rebanhos contribui para a emissão de gases de efeito estufa, incluindo CO₂.

Aspectos nutricionais também têm papel nessa tendência, já que os produtos híbridos podem apresentar perfis nutricionais equivalentes ou distintos dos lácteos tradicionais, sendo considerados por pessoas que desejam ajustar o consumo de produtos de origem animal ou que têm restrições, como intolerância à lactose. Dessa forma, tornam-se uma alternativa adicional para diferentes perfis de consumidores.

 

Referências

EDAIRY NEWS BRASIL. Iogurte híbrido combina leite e ingredientes de plantas. 14 out. 2025. Disponível em: https://br.edairynews.com/iogurte-hibrido-ingredientes-plantas/#:~:text=A%20empresa%20israelense%20Wilk%20revelou%20um%20novo,degusta%C3%A7%C3%A3o%2C%20o

%20produto%20%C3%A9%20compar%C3%A1vel%20ao%20iogurte. Acesso em: 12 nov. 2025. 

SANTIN, Juliana. Dá para inovar com produtos lácteos híbridos? MilkPoint – Colunas Inovações em Lácteos, 17 jul. 2024. Disponível em: https://www.milkpoint.com.br/colunas/inovacoes-em-lacteos/da-para-inovar-com-produtos-lacteos-hibridos-236956/. Acesso em: 12 nov. 2025. 

SUSTENTIX. Queijo produzido com 25% de proteína de ervilha é mais sustentável. 18 mar. 2025. Disponível em: https://sustentix.sapo.pt/queijo-produzido-com-25-de-proteina-de-ervilha-e-mais-sustentavel/#:~:text=%E2%80%9CQueijos%20h%C3%ADbridos%20como%20este%20s%C3%A3o%20um%20passo

,teor%20de%20leite%20e%20ainda%20criar%20um.Acesso em: 12 nov. 2025. 

O papel dos fermentos na qualidade do queijo

O que são fermentos lácteos?

Fermentos lácteos são microrganismos, em especial bactérias, que desempenham um papel indispensável no processo de produção de queijos. Eles também são utilizados na fabricação de iogurtes e outros derivados do leite.

Esses fermentos são responsáveis pela transformação da lactose presente no leite em ácido lático, processo conhecido como fermentação. É durante essa etapa que surgem as características específicas de cada queijo ou derivado, como sabor, aroma e textura.

Para garantir que um queijo ou outro produto lácteo apresente características únicas e marcantes, é essencial que o fermento utilizado seja de qualidade e manejado de forma eficiente, garantindo um produto final saboroso e de excelência.

 

Qual o seu processo nos queijos?

É de extrema importância que o fermento utilizado na produção de queijos seja adequado ao tipo de produto que se deseja elaborar. Alguns tipos de culturas são especificas para queijos, enquanto outros são destinados a iogurtes ou diferentes derivados do leite. Por isso, a escolha do fermento tem impacto direto nas etapas que ocorrerão durante a fabricação e no resultado final.

Os fermentos atuam em diversas fases da produção, desde a acidificação até a conservação do queijo.

Eles influenciam diretamente a acidificação por consumirem a lactose, transformando-a em ácido lático e reduzindo o pH do leite. Essa acidificação é essencial tanto para o desenvolvimento do sabor quanto para a coagulação da caseína, proteína que forma a coalhada utilizada na produção de queijos e iogurtes.

Além disso, os fermentos têm influência significativa no sabor, aroma e textura. Durante a fermentação, os microrganismos produzem compostos aromáticos, gases e substâncias responsáveis por características sensoriais específicas. Como exemplo, o queijo Minas Padrão apresenta um sabor totalmente diferente do parmesão devido às culturas utilizadas em sua fermentação.

Outro aspecto influenciado pelos fermentos é a textura. A formação de olhaduras ocorre quando há produção de gases durante a fermentação, resultando na chamada textura aberta. Em outros casos, quando não há produção significativa de gases, forma-se uma textura fechada, com superfície lisa e sem olhaduras.

Dessa forma, a coalhada se desenvolve conforme o tipo de bactéria presente na cultura utilizada, determinando a textura final do produto, não apenas em queijos, mas também em outros derivados do leite.

Por fim, os fermentos também contribuem para a conservação do queijo, inibindo o crescimento de microrganismos indesejáveis e aumentando a segurança e a vida útil dos produtos lácteos.

Dessa maneira, a utilização de culturas lácteas influência diretamente todo o processo de fabricação, desempenhando um papel essencial na qualidade e identidade do queijo produzido.

 

Tipos de fementos

Como citado anteriormente, os fermentos têm grande importância na produção de queijos e outros derivados do leite. Além da qualidade e do manejo adequado, o tipo de fermento escolhido também influencia diretamente o resultado final.

Existem diversos tipos de fermentos lácteos, cada um com características específicas para diferentes produtos.

Fermentos mesofílicos

Atuam em temperaturas entre 20°C e 30°C. São comumente utilizados na produção de queijos Minas Padrão, Coalho, Prato e queijos frescos, como o cottage. Contribuem para aromas mais suaves e textura macia.

Fermentos termofílicos

Desenvolvem-se melhor entre 35°C e 45°C. São utilizados principalmente na fabricação de iogurtes e queijos de massa filada, como muçarela e provolone. Proporcionam acidificação rápida e maior elasticidade.

Fermentos probióticos

Além das funções tecnológicas, oferecem benefícios à saúde, atuando positivamente na microbiota intestinal. São comuns em iogurtes e bebidas lácteas funcionais.

 

Por que os fermentos dão melhor qualidade aos queijos?

Os fermentos influenciam diretamente a qualidade final dos queijos devido ao papel essencial que exercem em várias etapas da produção.

Eles transformam a lactose em ácido lático, o que afeta o sabor e a coagulação da caseína, resultando em uma coalhada de qualidade adequada para o queijo.

Também determinam sabor, textura e aroma por meio da produção de compostos aromáticos, gases e outros sabores, conferindo identidade única a cada tipo de queijo.

Além disso, os microrganismos presentes nas culturas contribuem para a conservação, aumentando a segurança e a vida útil do produto.

Por esses motivos, os fermentos têm influência direta e fundamental na qualidade dos queijos, conferindo características únicas que valorizam o produto final e favorecem o produtor e o consumidor.

 

Produtos oferecidos pela LcBolonha

A LcBolonha representa o maior e mais eficiente produtor de culturas lácteas do mundo, a Novonesis, que oferece produtos de alta qualidade e segurança, proporcionando alto rendimento na produção de queijos, iogurtes, bebidas lácteas e leite fermentado.

Em nosso portfólio, oferecemos uma ampla gama de culturas lácteas, incluindo culturas mesofílicas, propiônicas, termofílicas, adjuntas de maturação, especiais, probióticas e de inoculação direta DVS (Direct Vat Set), disponíveis nas formas liofilizadas ou congeladas.

A LcBolonha disponibiliza uma diversificada linha de culturas lácteas para a produção de iogurtes, bebidas lácteas e leites fermentados. Além de proporcionarem alto rendimento industrial, esses produtos entregam textura e suavidade superiores, conferindo identidade e características sensoriais marcantes aos produtos finais. Com as soluções oferecidas pela LcBolonha, sua produção se torna mais segura, eficiente e ágil, atendendo aos mais variados paladares e oferecendo produtos diferenciados no mercado.

Oferecemos também uma ampla gama de culturas lácteas para a produção de queijos cheddar, continentais, de massa filada, propiônicos, cottage, grana, queijos macios e semimacios, além de culturas adjuntas de maturação e soluções bioprotetoras.

Por fim, disponibilizamos culturas lácteas probióticas, destinadas à produção de iogurtes e leites fermentados, proporcionando uma composição extremamente saudável e benéfica para o consumidor.

 

Referências

RICANATA. Ingredientes e fermentos para laticínios de excelente qualidade. Ricanata – Blog, s.d. Disponível em: https://www.ricanata.com.br/blog/ingredientes-e-fermentos-para-laticinios-de-excelente-qualidade/. Acesso em: 17 nov. 2025. 

Soro do Leite: O que é, Diferenças com o Leite, Produtos, Benefícios e Desafios no Processamento

Descubra o que é o soro do leite, suas diferenças nutricionais em relação ao leite, os principais produtos derivados, os benefícios para a saúde e os desafios do seu processamento industrial.

 

O que é o soro do leite?

O soro do leite é um subproduto obtido durante o processo de fabricação de queijos. Atualmente, ele tem ganhado destaque por seu alto valor agregado, sendo amplamente utilizado em diversas categorias de alimentos, como laticínios, produtos cárneos, panificados e confeitaria. Isso se deve principalmente às suas propriedades bioativas e funcionais. 

Esse subproduto é rico em proteínas de alta qualidade, lactose, vitaminas e minerais como cálcio, fósforo, magnésio e zinco, além de conter pequenas quantidades de gordura do leite. 

 

Soro de leite

Qual a diferença do soro do leite e o leite?

Enquanto o leite é a matéria-prima original, o soro do leite é gerado como resultado da fabricação de queijos. O valor nutricional do soro é, de modo geral, inferior ao do leite integral. Ainda assim, ele tem diversas aplicações industriais, sendo muito utilizado na elaboração de bebidas lácteas, achocolatados e outros alimentos processados. 

Já o leite é mais empregado na produção de derivados como iogurtes, queijos e outros produtos lácteos mais complexos.

 

Quais produtos são produzidos através do soro do leite?

Diversos produtos podem ser desenvolvidos a partir do soro do leite, especialmente suplementos com alto teor proteico, como o whey protein, soro de leite em pó, proteínas isoladas, soro com baixo teor de lactose e soro desmineralizado. 

O concentrado proteico do soro possui alta concentração de proteínas e, conforme esse nível aumenta, a quantidade de lactose tende a diminuir. A proteína isolada do soro é mais pura e difícil de ser encontrada, contendo cerca de 90% de proteína, com baixíssimo teor de lactose e gordura. 

Além disso, essa proteína pode passar por processos de hidrólise com ácidos ou enzimas, originando proteínas hidrolisadas, que oferecem ainda mais benefícios nutricionais. Com o avanço das tecnologias, diferentes frações proteicas e peptídeos com atividades biológicas têm sido isolados a partir do soro. 

As proteínas do soro representam cerca de 20% das proteínas totais do leite e são altamente valorizadas devido à sua rica composição de aminoácidos essenciais. Em especial, elas contêm uma quantidade superior de aminoácidos sulfurados (como cisteína e metionina) em comparação à caseína. 

A cisteína é fundamental para a síntese de glutationa, um antioxidante natural com efeitos imunológicos e anticancerígenos. Além disso, o soro é fonte de aminoácidos de cadeia ramificada (isoleucina, leucina e valina), importantes para a recuperação e manutenção muscular, sendo bastante vantajoso para atletas. 

Outro diferencial é que as proteínas do soro são absorvidas rapidamente pelo organismo, promovendo uma resposta fisiológica mais rápida que a caseína, que é digerida mais lentamente. 

Entre os principais componentes proteicos do soro estão:  alfa-lactoalbumina, imunoglobulinas, albumina sérica bovina, lactofe beta-lactoglobulina, lactoferrina, lactoperoxidase e o glicomacropeptídeo, este último componente é derivado da caseína durante a fabricação de queijos. 

 

Benefícios do soro do leite


O soro do leite oferece uma série de benefícios funcionais e nutricionais. Além de fornecer nutrientes essenciais, ele contém compostos bioativos que contribuem para a prevenção de doenças e para a promoção da saúde geral. A seguir, alguns de seus efeitos:

Atividades antimicrobiana e antiviral

O soro do leite possui diversos componentes que atuam na defesa do organismo contra microrganismos e toxinas, como imunoglobulinas, lactoferrina, lactoferricina, lactoperoxidase, glicomacropeptídeo e esfingolipídios.

Estudos em laboratório mostraram que derivados como esfingosina e liso-esfingomielina apresentam ação antimicrobiana. Já a lactoferrina tem se mostrado eficaz contra uma ampla gama de microrganismos, incluindo E. coli e Listeria monocytogenes, associados a infecções alimentares.

Soro de leite em recipiente transparente

No campo antiviral, componentes como a lactoferrina, imunoglobulinas e proteínas menores do soro também demonstraram capacidade de inibir vírus como o HIV, herpesvírus e vírus da hepatite C. Em pacientes com HIV, a suplementação com fórmulas proteicas ricas em cisteína elevou os níveis de glutationa, favorecendo a imunidade e a tolerância ao tratamento antirretroviral.

Atividade de imunomodulação

Diversos componentes do soro do leite, como lactoferrina, imunoglobulinas, lactoperoxidase e glicomacropeptídeos atuam no fortalecimento do sistema imunológico. A lactoferrina, por exemplo, pode estimular a multiplicação de células de defesa como linfócitos e macrófagos.

Estudos em animais e humanos indicam que a ingestão de proteínas do soro pode melhorar as respostas imunes tanto humorais quanto celulares, além de aumentar a produção de anticorpos após vacinas.

Atividade anticâncer

Há evidências crescentes, tanto em estudos in vitro quanto em modelos animais, de que o soro do leite e suas proteínas (como lactoferrina, lactoperoxidase e albumina sérica) possuem ação protetora contra diversos tipos de câncer.

Pesquisas mostraram que dietas enriquecidas com soro de leite reduziram a incidência de tumores intestinais, de cólon e mamários em ratos. A lactoferrina, em especial, apresentou efeitos citotóxicos sobre células tumorais e inibiu o desenvolvimento de cânceres em estágios iniciais.

Esses efeitos são atribuídos, em parte, à capacidade do soro de aumentar os níveis de glutationa celular, reforçando o sistema antioxidante e imunológico. Componentes como esfingomielina, ácido linoleico conjugado (CLA) e o cálcio também contribuem para essa proteção.

Saúde Cardiovascular

O soro do leite contém componentes bioativos que podem afetar positivamente a saúde cardiovascular. Por exemplo, os peptídeos derivados do soro do leite podem proteger contra hipertensão, inibir a agregação plaquetária e reduzir os níveis de colesterol no sangue.

Os peptídeos do soro do leite também mostraram capacidade de inibir a atividade da enzima conversora de angiotensina (ACE). A ACE converte o hormônio inativo angiotensina I em angiotensina II, que promove a contração vascular na musculatura lisa, aumentando, desta forma, a pressão sanguínea.

Uma série de proteínas derivadas do soro do leite inibidoras da ACE (alfa-lactoalbumina, beta-lactoglobulina) foi identificada. Estudos preliminares recentes em humanos mostraram que a ingestão de proteínas específicas hidrolisadas isoladas do soro do leite com peptídeos bioativos por seis semanas reduziu a pressão sanguínea em adultos hipertensivos não tratados.

Algumas proteínas do soro do leite também podem afetar a coagulação sanguínea. Experimentos in vitro e com animais sugerem que os peptídeos derivados de glicomacropeptídeo e de lactoferrina podem inibir a agregação plaquetária e a trombose. Além disso, as proteínas do soro do leite podem reduzir os níveis de colesterol sanguíneo ou ter efeitos favoráveis nos níveis de lipídios do sangue.

Performance Física

Para praticantes de atividade física, o soro do leite é uma excelente fonte de proteínas de rápida absorção, ricas em aminoácidos de cadeia ramificada como a leucina, que favorece a síntese de proteínas musculares.

A presença de arginina e lisina contribui para o ganho de massa muscular atráves do estímulo da produção do hormônio do crescimento. Outros compostos bioativos do soro também auxiliam na redução de estresse oxidativo e na manutenção da imunidade em treinos intensos.

Outros Benefícios

Estudos indicam que componentes do soro, como a proteína básica do leite e a lactoferrina, contribuem para o aumento da densidade óssea, prevenindo a osteoporose.

Outros elementos podem proteger o esmalte dentário contra a desmineralização e até melhorar a saúde bucal devido às suas propriedades antimicrobianas.

Além disso, uma proteína do soro do leite chamada alfa-lactoalbumina, rica em triptofano (precursor da serotonina), demonstrou melhorar a cognição em pessoas sob estresse, conforme estudos clínicos recentes.

 

Soro do leite

Desafios no processamento do soro do leite

Apesar de seu potencial, a utilização industrial do soro do leite no Brasil enfrenta obstáculos técnicos e econômicos. Questões como a qualidade do leite utilizado, custos de processamento, impacto ambiental e exigências regulatórias dificultam sua ampla adoção pela indústria alimentícia.

 

Conclusão

O soro do leite é um subproduto rico em proteínas e compostos bioativos que traz diversos benefícios à saúde, como fortalecimento imunológico, ação antimicrobiana e melhora da performance física. Apesar do seu potencial, o processamento industrial ainda enfrenta desafios técnicos e econômicos. Com avanços tecnológicos, o soro do leite pode se tornar uma importante matéria-prima para a indústria alimentícia e de suplementos.

 

Referências

REVISTA MAIS LEITE. O que é soro do leite e para que serve? Juiz de Fora, 2024. Disponível em: https://revistamaisleite.com.br/o-que-e-soro-do-leite-e-para-que-serve/.Acesso em: 27 set. 2025. 

MILKPOINT. Benefícios do soro do leite para a saúde. 12 mar. 2020. Disponível em: https://www.milkpoint.com.br/noticias-e-mercado/giro-noticias/beneficios-do-soro-do-leite-para-a-saude-18419/. Acesso em: 27 set. 2025. 

TERRA. Nutrólogo explica as diferenças entre leite e soro de leite. Disponível em: https://www.terra.com.br/vida-e-estilo/degusta/alimentacao-com-saude/nutrologo-explica-as-diferencas-entre-leite-e-soro-de-leite,0f19ea8bc82e21bf647976ea9505e6505kfffn4x.html. Acesso em: 28 set. 2025. 

G1. Soro de leite e bebida láctea: o que são e quais as diferenças nutricionais em relação ao leite integral. 07 jul. 2022. Disponível em: https://g1.globo.com/economia/agronegocios/noticia/2022/07/07/soro-de-leite-e-bebida-lactea-o-que-sao-e-quais-as-diferencas-nutricionais-em-relacao-ao-leite-integral.ghtml.Acesso em: 28 set. 2025. 

MILKPOINT. Refrigerante de soro de leite: produção e desafios. 05 jul. 2021. Disponível em: https://www.milkpoint.com.br/artigos/industria-de-laticinios/refrigerante-de-soro-de-leite-producao-e-desafios-226230/. Acesso em: 28 set. 2025. 

Microbiologia do Leite: Tipos de Bactérias, Riscos de Contaminação e Como Garantir a Segurança e Qualidade

Entenda a microbiologia do leite: tipos de bactérias, riscos de contaminação e práticas para garantir a qualidade e segurança alimentar.

 

O que é a microbiologia do leite?

O leite é um alimento altamente nutritivo, rico em carboidratos, lipídios, proteínas de alto valor biológico, sais minerais e vitaminas essenciais. Essa composição faz do leite um ambiente ideal para a proliferação de diversos microrganismos, especialmente bactérias.

Nem todas as bactérias presentes no leite são prejudiciais à saúde humana; algumas são benéficas e ajudam a proteger contra microrganismos patogênicos que podem causar doenças.

No entanto, a ausência de controle adequado da atividade microbiana pode comprometer a qualidade do leite cru, tornando-o impróprio para o consumo.

Por isso, a legislação estabelece um limite máximo de 100 mil bactérias por mililitro de leite cru, garantindo a segurança alimentar e a proteção do consumidor. Devido à sua importância nutricional, o leite e seus derivados passam por rigorosos testes microbiológicos para assegurar a qualidade e a segurança do produto final.

 

Tipos de Bactérias

Diversos tipos de bactérias podem estar presentes no leite cru, e cada grupo tem impactos distintos na qualidade, segurança e validade do produto.

Os principais grupos são:

  • Bactérias mesófilas
  • Bactérias termodúricas
  • Bactérias psicrotróficas

Além desses, também podem ser encontrados microrganismos patogênicos, coliformes e bactérias probióticas.

Compreender esses microrganismos é essencial para prevenir a contaminação do leite, evitar perdas na indústria e garantir a segurança alimentar do consumidor.

 

Bactérias Mesófilas

As bactérias mesófilas se desenvolvem com facilidade em temperaturas moderadas e são as primeiras a se multiplicarem quando o leite cru não é refrigerado corretamente após a ordenha.

Microrganismos como Lactobacillus, Streptococcus e Lactococcus são comuns nesse grupo e podem elevar rapidamente a acidez do leite, comprometendo seu valor comercial e dificultando seu uso na indústria de laticínios.

Fatores que favorecem o crescimento dessas bactérias incluem:

  • Má higienização dos equipamentos de ordenha;
  • Manuseio inadequado do leite;
  • Ausência de resfriamento imediato após a ordenha.

A melhor forma de controlar bactérias mesófilas no leite é por meio da refrigeração rápida e eficiente, mantendo o produto em baixa temperatura até a pasteurização.

 

Bactérias Termodúricas

As bactérias termodúricas são microrganismos que resistem ao processo de pasteurização devido à sua capacidade de formar esporos altamente resistentes ao calor. Esses esporos permanecem viáveis no ambiente por anos, mesmo em condições adversas.

Os principais gêneros responsáveis por essa contaminação são Clostridium e Bacillus, ambos com espécies esporuladas que dificultam o controle microbiológico do leite.

A eliminação total dessas bactérias exige tratamentos térmicos mais intensos, como o aquecimento a 120 °C por cerca de 20 minutos — temperatura muito superior à utilizada na pasteurização convencional.

A presença elevada de bactérias termodúricas no leite indica falhas recorrentes na higienização dos equipamentos, como:

  • Rachaduras em peças de borracha
  • Acúmulo de resíduos sólidos (as chamadas “pedras de leite”) nas tubulações
  • Ordenha de vacas com úberes sujos

Como sobrevivem ao tratamento térmico, essas bactérias afetam diretamente a validade do leite pasteurizado e de seus derivados, acelerando a deterioração do produto.

 

Bactérias Psicrotróficas

As bactérias psicrotróficas são microrganismos capazes de se multiplicar em temperaturas baixas, geralmente abaixo de 7 °C. Embora muitas sejam originalmente bactérias mesófilas, elas conseguem crescer lentamente durante o armazenamento refrigerado do leite cru.

Esse grupo representa um grande desafio para a indústria de laticínios, pois produz enzimas resistentes ao calor, como proteases e lipases, que permanecem ativas mesmo após a pasteurização.

Essas enzimas são responsáveis por:

  • Degradação de proteínas e gorduras do leite
  • Alterações no sabor e odor
  • Redução da vida útil do produto
  • Menor rendimento na produção de queijos
  • geleificação do leite UHT

O crescimento dessas bactérias ocorre principalmente quando o leite cru refrigerado é armazenado por longos períodos — prática comum em sistemas de coleta a granel.

Altas contagens de psicrotróficas estão associadas a:

  • Falhas na higiene durante a ordenha
  • Limpeza inadequada dos equipamentos
  • Refrigeração deficiente (temperaturas acima de 5 °C)

Embora muitas bactérias psicrotróficas não sejam patogênicas — como Pseudomonas, Aeromonas, Flavobacterium e Lactobacillus — algumas espécies podem causar doenças, como Listeria monocytogenes, Yersinia enterocolitica e Bacillus cereus, sendo responsáveis por intoxicações alimentares.

 

Microrganismo Patogénicos no Leite

O leite cru pode servir como meio de transmissão para diversos agentes patogênicos, capazes de causar doenças infecciosas em seres humanos. Entre os principais microrganismos que podem estar presentes no leite contaminado, destacam-se:

  • Salmonella spp.
  • Escherichia coli patogênica
  • Listeria monocytogenes
  • Campylobacter jejuni
  • Yersinia enterocolitica
  • Staphylococcus aureus

A maioria desses microrganismos é eliminada com o processo de pasteurização do leite, mas algumas bactérias termodúricas podem sobreviver ao tratamento térmico.

Além disso, existe o risco de contaminação pós-pasteurização, que pode ocorrer devido a:

  • Equipamentos e utensílios mal higienizados
  • Manipuladores contaminados
  • Armazenamento inadequado após o processamento

Algumas bactérias, como o Staphylococcus aureus, produzem enterotoxinas resistentes ao calor. Nestes casos, o tratamento térmico pode eliminar as células bacterianas, mas não as toxinas, que continuam ativas e representam risco à saúde.

Há ainda microrganismos virais, como o vírus da febre aftosa, que não são completamente inativados pela pasteurização. A prevenção, nesse caso, depende da vacinação dos animais.

Patógenos mais recentemente identificados no leite, como Escherichia coli O157:H7 e Listeria monocytogenes, embora responsáveis por poucos surtos, preocupam devido à gravidade das doenças que podem causar, especialmente em grupos de risco como gestantes, idosos e imunossuprimidos.

 

Coliformes no Leite

A presença de coliformes no leite cru é considerada um importante indicador de contaminação fecal. Esse grupo de bactérias inclui principalmente os gêneros:

  • Escherichia
  • Enterobacter
  • Klebsiella

Esses microrganismos são naturalmente encontrados no trato intestinal dos animais, e sua presença no leite está geralmente associada a falhas nas práticas de higiene.

Altas contagens de coliformes podem indicar:

  • Ordenha realizada com má higienização dos úberes
  • Uso de utensílios ou equipamentos contaminados
  • Emprego de água imprópria para a limpeza

Embora alguns coliformes possam ser de origem ambiental, sua presença em níveis elevados sempre serve como um sinal de alerta. Isso indica a necessidade de revisar e aprimorar as boas práticas de ordenha, manejo e sanitização.

A detecção precoce desses microrganismos contribui para garantir a qualidade do leite cru e prevenir riscos à saúde do consumidor.

 

Probióticos

Os probióticos são microrganismos benéficos que desempenham papel fundamental na manutenção da saúde intestinal e na modulação do sistema imunológico. Eles estão presentes em produtos lácteos fermentados, como iogurtes, e incluem principalmente cepas dos gêneros:

  • Lactobacillus
  • Bifidobacterium

Esses microrganismos auxiliam na digestão, facilitam a absorção de nutrientes e competem com bactérias patogênicas como Salmonella typhimurium e Escherichia coli, reduzindo sua capacidade de colonização no trato gastrointestinal.

Além disso, os probióticos promovem o aumento da produção de imunoglobulina A (IgA), fortalecendo a resposta imune adaptativa do organismo.

Estudos indicam que a presença de Lactobacillus em lactentes está associada a um menor risco de alergias alimentares na vida adulta. Já a suplementação com Bifidobacterium em recém-nascidos durante o desmame pode diminuir a colonização por Bacteroides, reduzindo a chance de reações alérgicas.

 

Conclusão

A microbiologia do leite é essencial para garantir a segurança alimentar e a qualidade dos produtos lácteos. Embora o leite seja um ambiente ideal para o crescimento de diversos microrganismos, os riscos podem ser eficazmente controlados por meio de boas práticas de higiene na produção, refrigeração adequada do leite cru e processos de pasteurização eficientes.

Além de proteger a saúde do consumidor, o conhecimento detalhado sobre a microbiologia do leite contribui para a melhoria da cadeia produtiva e para o fortalecimento da saúde pública.

 

Referências

IFope. Microbiologia: entenda o processo de microbiologia do leite. Disponível em: https://blog.ifope.com.br/microbiologia/. Acesso em: 26 ago. 2025. 

EMBRAPA. Tipos de microrganismos. Disponível em: https://www.embrapa.br/agencia-de-informacao-tecnologica/criacoes/gado_de_leite/pre-producao/qualidade-e-seguranca/qualidade/qualidade-higienica/microrganismos/tipos-de-microrganismos. Acesso em: 26 ago. 2025. 

KASVI. Bactérias no leite: quais são e que cuidados exigem na produção. Disponível em: https://kasvi.com.br/bacterias-no-leite-quais-sao-e-que-cuidados-exigem-na-producao/. Acesso em: 26 ago. 2025. 

Homogeneização do Leite: O Que É, Para Que Serve e Quais os Benefícios

Entenda o que é homogeneização do leite, seus benefícios para a estabilidade e qualidade do leite e derivados, e como se diferencia da pasteurização.

 

O que é a homogeneização do leite?

A homogeneização do leite é um processo físico-mecânico que visa romper os glóbulos de gordura do leite, dividindo-os em partículas menores e mais uniformes. Durante esse processo, a estrutura dos glóbulos de gordura sofre modificações: eles deixam de estar totalmente envoltos pelos fosfolipídios originais da membrana e passam a apresentar proteínas do leite, principalmente caseínas, adsorvidas em sua superfície.

Homogeneizador para suco disponível para orçamento

Esse processo tem dois principais objetivos: retardar a cremeação do leite e aumentar sua estabilidade, evitando a coalescência dos glóbulos de gordura.

 

Cremeação do Leite

No leite cru ou não homogeneizado, a cremeação ocorre naturalmente quando o leite fica em repouso. Isso acontece porque os glóbulos de gordura, especialmente os maiores, se separam do restante do leite devido à diferença de densidade entre as fases líquidas e gordurosas.

Visualmente, a cremeação é percebida pela formação de uma camada de gordura (creme) na superfície do leite, resultado da união dos glóbulos de gordura em agregados maiores e irregulares.

Esse fenômeno é um problema para a comercialização do leite, especialmente em embalagens transparentes. A homogeneização diminui o diâmetro médio dos glóbulos, retardando a cremeação. Segundo a Lei de Stokes, com glóbulos menores, a velocidade da separação da gordura diminui, aumentando a estabilidade do leite.

 

Coalescência dos glóbulos de gordura

A coalescência é a fusão de dois glóbulos de gordura em um só, caracterizando uma desestabilização coloidal. A homogeneização aumenta a estabilidade contra a coalescência, pois a redução do tamanho dos glóbulos permite a formação de uma nova membrana composta por caseínas.

Essa membrana promove repulsão eletrostática, principalmente devido às cargas negativas da k-caseína, evitando que os glóbulos recém-formados se agreguem.

 

Por que o leite é homogeneizado?

Antes da homogeneização, o leite tende a se separar naturalmente, com a camada de creme subindo para a superfície. Misturar manualmente o creme não garante uma textura uniforme e pode gerar grumos.

A homogeneização quebra os glóbulos de gordura, criando um líquido homogêneo, com textura e aparência mais agradáveis, além de evitar a necessidade de agitação constante.

Notícia sobre leite em embalagem de vidro

 

Efeitos da homogeneização do leite nos derivados lácteos

Os efeitos nos derivados lácteos são diversos. Por exemplo:

Manteiga: a homogeneização não é recomendada, pois dificulta a aproximação dos glóbulos de gordura. Essa dificuldade impede a formação da matriz necessária para a inversão de fase, essencial na produção da manteiga.

Creme de leite: a homogeneização traz benefícios importantes, pois aumenta a estabilidade do produto e reduz a separação das fases durante o armazenamento, evitando que o soro se separe do creme.

Bebidas lácteas: a homogeneização melhora a estabilidade geral do produto, favorece a dispersão das proteínas e evita a separação de fases, garantindo uma textura mais uniforme.

Queijos: a homogeneização exerce diferentes impactos dependendo do tipo:

  • Queijos de mofo azul: aumenta a área interfacial dos glóbulos de gordura, facilitando o acesso das enzimas lipases. Isso potencializa a lipólise, que produz ácidos graxos de cadeia curta, responsáveis pelo sabor característico desses queijos.
  • Queijos com baixo teor de gordura: promove distribuição mais uniforme da gordura, melhorando atributos sensoriais como sabor e textura.

No entanto, a homogeneização não é amplamente adotada em todas as tecnologias de fabricação de queijos, especialmente na produção artesanal, onde a lipólise acentuada pode ser indesejada e o processo tradicional é preferido.

 

Diferença entre leite homogeneizado e leite pasteurizado

Homogeneização e um processo mecânico que reduz o tamanho dos glóbulos de gordura, impedindo a separação e formação de creme. Melhora textura, sabor e estabilidade do leite.

Já a Pasteurização é um processo térmico que elimina microrganismos patogênicos, garantindo a segurança alimentar. Consiste em aquecer o leite a temperaturas específicas por tempo determinado.

Ambos são essenciais, mas com finalidades distintas: a homogeneização melhora a qualidade física e sensorial, enquanto a pasteurização assegura a segurança do produto.

 

Benefícios da homogeneização do leite

A principal vantagem da homogeneização é a distribuição uniforme da gordura, evitando que ela se acumule na superfície ou nas bordas do recipiente. Isso confere ao leite uma aparência mais branca, sabor mais encorpado e textura agradável.

Além disso, a homogeneização:

  • Facilita a digestão do leite.
  • Aumenta a estabilidade e prazo de validade.
  • Torna o leite mais versátil para uso culinário e industrial.

 

Exemplo ilustrativo de processo de homogeneização do leite

Conclusão

A homogeneização do leite é uma etapa fundamental na indústria de laticínios, com impacto direto na qualidade, estabilidade e aceitação do produto. Ao quebrar os glóbulos de gordura e distribuir a gordura uniformemente, esse processo evita a separação, melhora o sabor, a textura e a aparência do leite.

Embora não seja aplicada em todos os tipos de queijos, a homogeneização é amplamente vantajosa para a maioria dos produtos lácteos industriais, garantindo um leite mais estável, seguro, atrativo e funcional.

 

Referências

GINHONG. Homogenization of milk: what it is and how to process. Disponível em:
https://ginhong.com/homogenization-of-milk-what-it-is-and-how-to-process/
. Acesso em: 18 ago. 2025.

 

E-DAIRY NEWS. Processo homogeneização leite. Disponível em:
https://br.edairynews.com/processo-homogeneizacao-leite/
. Acesso em: 18 ago. 2025.

 

U.S. DAIRY. What is homogenized milk? Disponível em:
https://www.usdairy.com/news-articles/what-is-homogenized-milk
. Acesso em: 18 ago. 2025.

 

MILKPOINT. Homogeneização do leite: quebra esse glóbulo de gordura aí. Disponível em:
https://www.milkpoint.com.br/artigos/cruzadinha/homogeneizacao-do-leite-quebra-esse-globulo-de-gordura-ai-232166/
. Acesso em: 19 ago. 2025.

 

MILKPOINT. Efeitos da homogeneização no leite e derivados. Disponível em:
https://www.milkpoint.com.br/colunas/lipaufv/efeitos-da-homogeneizacao-no-leite-e-derivados-229385/
. Acesso em: 19 ago. 2025.

Iogurte: Tipos e Principais Benefícios para a Saúde e o Bem-Estar

Descubra os tipos de iogurte e seus principais benefícios para a saúde intestinal, ossos, peso, músculos, imunidade, mente e coração.

 

O que é iogurte ?

O iogurte é um alimento fermentado produzido a partir do leite por culturas bacterianas específicas. É uma fonte natural de probióticos que ajudam no equilíbrio da flora intestinal.

Durante o processo de fermentação, a lactose é convertida em ácido lático, conferindo sabor levemente ácido e textura cremosa. 

Os tipos mais comuns são: iogurte natural, iogurte líquido e iogurte grego — todos muito versáteis e facilmente incluídos na alimentação diária.

 

Tipos de Iogurte

Os principais tipos de iogurte são:  

  • Iogurte natural: É o tipo menos processado, contendo apenas leite fermentado e fermentos lácteos. Uma das opções mais saudáveis.
  • Iogurte Líquido: Feito a partir do iogurte natural com adição de soro de leite, o que resulta em textura mais fluida e prática para o consumo diário.
  • Iogurte grego: Possui maior concentração de proteínas e gorduras, com um menor teor de soro, o que garante uma textura mais cremosa. É uma excelente opção para quem busca saciedade e maior aporte de proteínas na dieta.

 

Qual Iogurte é mais saudável?

Iogurtes natural e grego estão disponíveis em diferentes versões — com ou sem adição de açúcares, adoçantes e aditivos — permitindo que cada consumidor escolha o produto que melhor atenda às suas preferências nutricionais e de sabor. Além disso, diversos iogurtes utilizam corantes naturais, o que garante um produto mais saudável e alinhado às preferências de consumidores que buscam ingredientes naturais. 

 

Benefícios do Consumo de iogurte

O consumo regular de iogurte traz diversos benefícios à saúde, graças à sua composição rica em proteínas, cálcio, fósforo, vitamina B6 e probióticos.

Saúde Intestinal: Os probióticos do iogurte equilibram a flora intestinal, combatendo bactérias nocivas e ajudando a prevenir diarreias,inflamações e até câncer de cólon.

Emagrecimento: O iogurte é rico em proteínas que promovem saciedade, retardam a digestão e auxiliam no controle da fome.

Fortalecimento dos ossos: Rico em cálcio e fósforo, o iogurte ajuda na manutenção da densidade óssea, prevenindo osteoporose e fraturas.

Ganho de Massa Muscular: As proteínas do iogurte são essenciais para a regeneração muscular, promovendo o ganho de massa magra.

Saúde Mental: Os probióticos do iogurte ajudam na produção de neurotransmissores como serotonina e dopamina. A vitamina B6 também participa desse processo, beneficiando humor, memória e concentração. Contudo, ainda são necessários mais estudos para confirmar esses benefícios.

Fortalecimento do Sistema Imunológico: O consumo regular de iogurte fortalece a imunidade, ajudando a equilibrar a flora intestinal e promovendo a produção de anticorpos que combatem infecções e doenças.

Melhora na Saúde Cardiovascular: O iogurte desnatado e semidesnatado, rico em potássio, cálcio e vitamina B6, ajuda a controlar a pressão arterial, relaxar os vasos sanguíneos e prevenir o acúmulo de placas nas artérias, reduzindo os riscos de ataques cardíacos e AVC.

 

Conclusão

O consumo regular de iogurte, especialmente os tipos naturais e gregos, traz múltiplos benefícios para a saúde, incluindo o equilíbrio intestinal, fortalecimento ósseo, controle do peso, suporte muscular, saúde mental, imunidade e proteção cardiovascular. Incorporar o iogurte na dieta diária é uma escolha nutritiva, versátil e eficaz para manter o corpo saudável e prevenir diversas doenças. 

 

Referências

TUA SAÚDE. Iogurte caseiro para prisão de ventre: saiba como fazer e benefícios. Disponível em: https://www.tuasaude.com/iogurte-caseiro-para-prisao-de-ventre/. Acesso em: 8 jul. 2025. 

TERRA. 7 benefícios do iogurte natural para a saúde. Disponível em: https://www.terra.com.br/vida-e-estilo/degusta/alimentacao-com-saude/7-beneficios-do-iogurte-natural-para-a-saude,2c026c1dc2c060fb11065cce25984ba5tnqmuljv.html. Acesso em: 8 jul. 2025. 

PÃO DE AÇÚCAR. Benefícios do iogurte para sua saúde. Disponível em: https://content.paodeacucar.com/saudabilidade/beneficios-iogurte-para-sua-saude. Acesso em: 8 jul. 2025. 

Pasteurização do Leite: Processo, Tipos e Diferenças com Leite UHT

Conheça tudo sobre pasteurização do leite, os tipos de pasteurização lenta e rápida, como conservar o leite pasteurizado corretamente e as diferenças entre leite pasteurizado e leite UHT para garantir qualidade e segurança alimentar.

 

O que é Pasteurização do Leite?

A pasteurização do leite é um processo no qual o alimento é aquecido a uma temperatura específica por um determinado período e, em seguida, resfriado rapidamente. Esse processo elimina micro-organismos presentes no leite, sendo fundamental para a conservação do leite e seus derivados.

 

Pasteurização Lenta

A pasteurização lenta do leite é feita em um período prolongado, com temperatura entre 62°C e 65°C, durante aproximadamente 30 minutos. O leite é aquecido em tanques isotérmicos e depois resfriado, método usado principalmente por pequenas indústrias devido ao tempo maior do processo.

Processo de pasteurização do leite ilustrado

 

Pasteurização Rápida

Já a pasteurização rápida é feita em sistema de circuito fechado, com temperaturas entre 72°C e 75°C, por 15 a 20 segundos, usando trocadores de calor por placas. O processo é automatizado e registra a temperatura constantemente, com desvio do leite caso não atinja os parâmetros. É muito comum para leites usados em derivados como iogurtes e queijos.

 

Conservação do leite pasteurizado

Após a pasteurização, o leite pasteurizado deve ser mantido refrigerado em temperaturas até 7°C, seja na indústria, comércio ou em casa, para evitar o seu estrago. O uso de embalagem cartonada ajuda a preservar melhor o produto. É importante não confundir o leite pasteurizado com o leite UHT, que pode ser armazenado fora da geladeira.

 

Tipos de Leite Pasteurizado

Conforme a IN 76, existem dois tipos de leite pasteurizado:

  • Leite pasteurizado comum: produzido em granjas leiteiras e beneficiado/envasado em indústrias.
  • Leite pasteurizado tipo A: produzido, beneficiado e envasado totalmente nas granjas leiteiras.

Ambos devem ser envasados em circuito fechado, atender a critérios microbiológicos da IN 76, não conter substâncias estranhas ou resíduos veterinários acima dos limites, nem aditivos ou coadjuvantes.

Classificação pelo teor de gordura:

  • Integral: mínimo 3,0g/100g
  • Semidesnatado: 0,6 a 2,9g/100g
  • Desnatado: máximo 0,5g/100g

O teor de gordura deve estar destacado no rótulo, próximo à denominação de venda. 

 

Qual a diferença entre leite pasteurizado e leite UHT?

O leite pasteurizado é aquecido a temperaturas moderadas para eliminar a maioria dos micro-organismos, mas alguns micro-organismos resistentes podem permanecer. Por isso, o leite pasteurizado precisa ser conservado refrigerado para garantir sua validade limitada.

O leite UHT (Ultra High Temperature) passa por um processo térmico mais intenso, com aquecimento entre 130°C e 150°C por 3 a 5 segundos, eliminando praticamente todos os micro-organismos e esporos. Isso permite seu armazenamento em temperatura ambiente por mais tempo.

Antes do processo, o leite UHT recebe pré-tratamento para proteger sua composição, é resfriado em câmara de vácuo, homogeneizado e embalado em embalagem asséptica, garantindo durabilidade e sabor.

Equipamento de pasteurização do leite

 

Conclusão

A pasteurização do leite é essencial para eliminar micro-organismos, aumentar a segurança alimentar e prolongar a conservação do leite. Os processos de pasteurização lenta e rápida garantem a qualidade do leite pasteurizado, que deve ser mantido refrigerado.

Já o leite UHT, submetido a tratamento térmico mais intenso, pode ser armazenado fora da geladeira, devido à eliminação quase total dos micro-organismos. Conhecer esses processos e cuidados ajuda o consumidor a escolher o leite ideal para seu consumo.

 

Referências

IFOPE. Pasteurização do leite: o que é e qual a importância desse processo? Disponível em: https://blog.ifope.com.br/pasteurizacao-do-leite-o-que-e-e-qual-a-importancia-desse-processo/. Acesso em: 15 jul. 2025. 

SUCKMILK. O processo de pasteurização. Disponível em: https://suckmilk.com.br/o-processo-de-pasteurizacao/. Acesso em: 15 jul. 2025. 

EDUCAPOINT. Diferença entre leite pasteurizado e UHT. Disponível em: https://www.educapoint.com.br/v2/blog/industria-leite/diferenca-leite-pasteurizado-UHT/. Acesso em: 15 jul. 2025.